Em tempo, saiu uma entrevista comigo lá no site dos parceiros do Setor 8, para ler clique aqui. Para quem quiser saber um pouco mais da Peiote, acho que tem algumas coisas legais lá!
Abraços!
Jaum



Continuando com as postagens do que está por vir na Peiote e das histórias onde atuei como roteirista, Cães de Guerra é uma parceria entre eu e o Rafael Torres. Assim como o Junim, da postagem anterior, eu e o Rafa já estávamos ensaiando fazer essa parceria faz tempo - neste caso, a parceria sempre esteve ligada aos quadrinhos e não em outras mídias também -, mas nunca a coisa andava (muito por culpa minha, admito!). Nesta primeira edição mesmo, ele iria fazer outra hq, mas uma série de fatores acabaram influenciando para que, até que enfim, saísse a nossa tão aguardada história em parceria. O Rafa sempre teve uma pilha incrível para desenhar, muito mais do que eu, por exemplo, e por isso foi extremamente legal ver a hq sendo concluída no papel, já que Cães de Guerra foi uma das histórias que mais gostei de roteirizar!
Em certa entrevista para a extinta revista Animal, Filippo Scozzari, ao ser questionado se lia alguma história em quadrinhos, respondeu da seguinte maneira: “Nada. Sou como um traficante, não consumo a droga que vendo.” E, porra, tenho me identificado muito com isso.
Sempre achei estranho autores como o Mutarelli dizerem que não liam muitos quadrinhos. “É um absurdo isso!”, pensava. No entanto, acredito que chega em um ponto que as coisas complicam (pelo menos pra mim foi assim!), pois já é muito desgastante ficar dias e dias na prancheta, e ainda, nos períodos de folga, manter os quadrinhos como hobby.
Porém, nos últimos tempos foram lançados alguns trabalhos que praticamente me obrigaram a adquirir, ambos prometiam muito! Estou falando dos livros Os Brasileiros, do André Toral, e Sábado dos Meus Amores, do Marcello Quintanilha, ambos da editora Conrad.
Em Os Brasileiros, o antropólogo André Toral narra algumas histórias sobre os indígenas brasileiros (que coisa, não?!), buscando pontos na história de nosso país. É uma abordagem muito interessante, pois, como explica o autor, ele não quis mostrar os índios como vítimas, mas como pessoas, que tomam decisões certas ou erradas. Os desenhos são lindos, tanto aqueles em branco e preto, utilizando técnicas como lápis e nanquim para arte-finalizar, quanto as páginas a cores, feitas em aquarela. As narrativas das histórias também são um caso à parte, trazendo um rítmo impecável para a forma com que o autor quis transmitir seus contos. Destaco duas histórias, em especial, “O Brasileiro”, por ter ficado perfeita para introduzir o livro e também pela própria história em si, que trás muitos elementos interessantes (sendo breve para não estragar as surpresar de quem ainda não leu!), e “O Iãgre", por tratar de temas que muito me agradam e também pelo ótimo estilo de desenho empregado. Enfim, um dos melhores quadrinhos que já li, tanto daqui quanto de fora. E Toral, se firma, novamente, como um dos grandes autores de quadrinhos brasileiros.
Já Sábado dos Meus Amores é um caso diferente. Explico. Ainda não
acabei de lê-lo, e não sei quando irei terminar. Pode parecer paradoxal, mas eu ainda não terminei por falta de tempo ou porque não gostei, e sim porque gostei demais! Marcello Quintanilha conseguiu criar uma obra completamente inovadora, e inovadora de uma forma “contrária”, pois é uma realidade que todos nós, brasileiros, conhecemos muito bem. Havia lido “Fealdade de Fabiano Gorila” há um tempo, quando o autor ainda se chamava Marcello Gaú, se é que ele se chamava, e não consegui encontrar mais nenhum material dele. Como experiência foi um imenso “choque” ler Sábado dos Meus Amores (e olha que nem acabei ainda!). O Quintanilha entra fácilmente na galeria dos melhores roteiristas do mundo atualmente. Sua sensibilidade em recriar nossa realidade brasileira é marcante, por exemplo, na história “De como Djalma Branco perdeu o amigo em dia de jogo”, que é uma hq que me deixou boquiaberto. E os desenhos. Belíssimos! Um traço que beira o realístico, mas com características próprias, autorais. Ricamente pintado, o álbum mereceu todo o acabamento editorial que a Conrad concedeu. Ainda não acabei de lê-lo, e não sei quando irei terminar. Talvez quando o Quintanilha lançar outro livro, pois assim será ele que irei guardar...
Bom, estas foram as minhas últimas leituras em termos de quadrinhos. Agora, hora de voltar ao trabalho.
Abraços!
Jaum


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| Jaum - Um eremita que vive em um lugar conhecido como Castelo Alto, uma fortaleza secreta e empoeirada, apenas bebendo cerveja e produzindo suas malditas histórias... |